O VELHO PREGADOR
Clamores por uma era sem farsas, no que havia se tornado o grande teatro do poder. Pregava a morte pela fogueira daquela que antes se chamava Justiça, a grande defensora de espada afiada, que resolveu abaixar a calcinha por uns trocados e se tornar a maior das prostitutas, no que ousava chamar de Ditadura das Meretrizes, no país da Bordelândia. Gesticulava como um louco – quiçá um maestro no doce delírio de reger a mais bela das sinfonias – enquanto amaldiçoava cada um dos membros de sua curta platéia de Homens-de-pedra. Rochosos seres cegos surdos e loucos, cuja alma era tão seca e dura quanto seu coração impenetrável. – antes palavras fossem marretas.
Gritava, gesticulava, vociferava em despudorado reclame. Talvez fosse ainda um dos poucos homens de carne e virtude, que via nas palavras mais força do que mero entretenimento. Fosse quem sabe apenas um maltrapilho, açoitado pelo infortúnio de ter a cabeça longe do chão e um coração sem joelhos numa era onde pensar era “desnecessário”. Fosse o que fosse, pregava às pedras de forma inflamada e fabulosa, ainda que estivesse nu.


eia, viejo régis... uma arenga ouvida de um velho pregador dá mesmo nisso: no desejo de sair por aí, despejando palavras ao vento, ao véu e ao léo, bobagens que sejam, ainda mais intuindo que de bobagens é o que mais precisamos. bom final de ano e ótimo 2009 pelas teresinas do mundo.
isso tem carater totalmente politico e quem saber uma verdadeira amalgama entre ficção e realidade... seria algo contra as novas cabeças coroadas na ultima eleição???
PS. chego em janeiro!
As palavras tem um poder magnânimo, apavorante e delicioso...saiba que cada palavra sua foi devidamente devorada por mim.....
De sua eterna súdita....
Drikaflor (drikacat@hotmail.com)
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