Sábado, Janeiro 30, 2010

GIM BARATO

O velho bêbado entregava-se ao chão sob os auspícios de uma garrafa de gim barato. Esfolava as mãos e os joelhos na queda, mas continuava ostentando um sorriso largo de dentes amarelos e quebradiços. Cantarolava músicas de outros tempos – que provavelmente não haviam sido criadas de fato em um outro momento e nem efetivamente neste - um grande punhado de palavras sem relação aparente ou um sentido claro. Mas ele estava feliz.

Pedestres desviavam quase que subconscientemente o caminho, evitando pisá-lo. Encostado na parede, silenciava por um instante, sentindo o vento em sua barba suja e seu rosto enrugado, e também deslizando pelos buracos da casaca verde-ontem que poderia ou não ser, ainda que hoje um monte de farrapos, o que já fora uma exuberante farda militar. Erguia a garrafa em um brinde com o universo ou o que quer que saísse de sua boca. “Cada um dá ao Diabo o seu quinhão!” poderia ser o teor de suas palavras. Não se sabia. Se visto momentaneamente, alguns o invejariam e diriam se tratar de uma comemoração muito adequada. Outros porém, talvez dissessem ser apenas mais um mendigo sem nome com hábitos particularmente estranhos.

Em todo caso, a luz do sol também brilhava para ele.

[veja também: WWW.flickr.com/photos/rfalcao]

[siga-me no twitter: www.twitter.com/regisfalcao]

Quinta-feira, Janeiro 21, 2010

ENCONTRANDO O TEMPO




O que relato a seguir é nada mais que um punhado de considerações obvias, porém a vida é um delicioso clichê.



A vida acontece em um ritmo alucinante. Diariamente fazemos uma escolha atrás da outra, nas mais variadas relevâncias, seja a gravata que você vai usar para trabalhar, o que você pretende ser no resto da sua vida – e essa em particular é uma decisão que necessita constante renovação - seja um pedido de casamento. É inevitável fazermos as escolhas erradas vez ou outra. A gravata que foge completamente ao padrão de cor da sua camisa pode fazer você parecer um pateta, independente de quantos MBAs seu currículo possui, mas ainda assim o seu currículo não sofre. Trabalhar com o que não agrada você tem conseqüências mais sérias. Muito mais sérias.
Sempre levei a frustração muito a sério. Esse é um sentimento que conduz ao fracasso em qualquer orbe da sua vida. Ser um pai frustrado, um marido frustrado, um esportista frustrado, um profissional frustrado. Esse último em particular eu nunca consegui compreender. Como alguém pode dedicar uma vida inteira a algo que não o satisfaz? Como levantar todos os dias mecanicamente, sem o menor senso de desafio, de emoção, de satisfação?
Algumas pessoas tem uma boa mira. Acertar de primeira não é tão simples. Não pra mim. Por muitos anos fantasiei sobre um determinado modo de vida que há algum tempo percebi ser de fato mera fantasia. Não que eu seja frustrado no que faço, muito pelo contrário, levo até jeito, mas no fim do dia sentia que faltava alguma coisa. Nos dias em que saio pra fotografar, escrevo ou converso sobre cinema com meus amigos, essa lacuna já não aparentava estar vazia. E é nesse ponto que eu queria chegar.
Recentemente tomei uma decisão séria: resolvi por fim definitivo e irrevogável à carreira jurídica. Trabalho a 4 anos na área, tenho bons contatos e constantemente boas propostas. Agradeço, mas não é mais pra mim. Martelei muito antes disso, posso dizer sem qualquer dúvida que não foi algo levado pelo impulso, apesar do que a grande maioria dos mais próximos pensou. Amadureci silenciosamente a idéia, pesando o que podia ser pesado, prós, contras e tudo mais. Na última sexta feira decidi arriscar e a menos de 24 hs das provas fiz vestibular. Mantive segredo pelo bem do meu ego. Temia o fracasso. A aproximadamente uns 7 anos sem estudar matérias de segundo grau, parei diante das provas como um velho soldado que volta às trincheiras depois de anos longe dos disparos e explosões. Um sentimento de fraqueza me dominou um instante. Fraqueza, medo... muita coisa seria decidida em um questionário de 60 perguntas. Respirei fundo e mandei ver. Pra minha surpresa fui aprovado e com uma colocação surpreendentemente gratificante. Meu ego ronrona como um gato manhoso.
Começar um novo curso aos 27 anos, não vai ser algo fácil. Passear por corredores de adolescentes cheios de energia vai ser... estranho. Não ligo.
Costumo dizer que minhas duas asas são a literatura e a fotografia. Posso dizer que é o que mais me satisfaz. Na verdade, nada me arranca mais sorrisos que a “família”: a literatura, a fotografia e o filho (como gosto de pensar) desse adorável casal: o cinema. Pra mim as três coisas se complementam e fazem goiabada com queijo, o velho Romeu e Julieta gastronômico, parecerem um casal sem graça.
Em Teresina não temos um curso de cinema ainda. E eu tenho meus motivos pra não sair daqui. Acho que o curso de jornalismo é o que mais se aproxima disso – dentro da realidade acadêmica da minha cidade, pelo menos – e me possibilita pelo menos uma especialização em cinema, futuramente. Não tenho outras pretensões senão o que já faço: contar histórias, sejam elas reais, fictícias, vividas, ouvidas ou mesmo imaginadas. Eu posso dizer com um bom grau de certeza algumas das coisas que NÃO quero pro meu futuro. E o que quero? Bom, a vida inteira acontece agora e pro meu agora, sei o que quero.

E você o que quer agora?

Quarta-feira, Janeiro 20, 2010

Ano novo, cara nova.

Com dor no coração, resolvi dar uma mudança geral e alterar o template do meu blog. O antigo foi um presente do meu querido amigo Pedro Pan - o mesmo preguiçoso que não quis fazer um novo - mas com as alterações do próprio blogspot, não aceitava o uso de alguns recursos com um link pro flickr e twitter.
Aos poucos vou acrescentando os links dos meus favoritos ok? não percisa ninguém chorar. ;)

Sábado, Dezembro 05, 2009

ALMA DE CEGO NÃO DERRETE

Trabalhava diariamente na calçada de uma sapataria. Sentado sobre as pernas e restos de uma caixa de geladeira. Erguia a bacia suja e desbotada quando ouvia passos em sua direção. Recebia com um sorriso de dentes gastos e agradecia com um “deus-lhe-abençoe” a um trocado qualquer que lhe deixassem.

As cores do mundo o abandonaram em uma desilusão amorosa de fim de semana. Um desalento daqueles que arranca um naco da alma e desafina os verbos. Moço, inconseqüente, jovem e apaixonado, terminara por desistir de ver o mundo e seus tons e semi-tons. Descobrira que a liquidez da alma se dava pelo encanto que entrava pelas suas janelas. Sem hesitação foi à cozinha e com uma colher de sopa arrancou fora os olhos e os atirou janela a fora. Trocou as luzes por um par de olhos vítreos e opacos.

Anos mais tarde e muitos tombos depois, conhecia os caminhos com os dedos. Na ponta de seu toque estavam os mapas de todos os lugares por onde seus pés o haviam conduzido. Quem vive no escuro aprende esbarrando e caindo pelo caminho. Nessas andanças esquecera também o sabor do doce já que é nas cores que moram o açúcar dos dias saudáveis.

Vivia a deslizar pelas calçadas e vez ou outra um banco de praça para um sono breve e sem sonhos. Um intervalo de escuridão desperta e outro adormecido. Um dia em sua mendicância ouviu um tilintar diferente em sua bacia. Com dedos sujos e longas e amarelas unhas, remexeu e misturado às moedas encontrou uma esfera estranha e coberta por um pó grosso. Seus dedos conheciam aquilo, mas sua memória o traía. Tateou, circulou, cheirou... nada. Por fim resolveu levar à boca, na esperança de que sua língua dormente pusesse fim ao seu tormento de cego. Hesitou por um instante... a vida às escuras o havia feito um tanto inconseqüente, mas sempre havia a segurança em braile a lhe resguardar. Dessa vez era pura ousadia e risco. Respirou fundo. Nada tinha a perder. Colocou na boca e depois de passear com a língua em volta deu uma mordida forte.

Por um instante sentiu a língua formigar e o ar lhe escapar pelas narinas. Antes que pudesse racionalizar o que se passava, um gosto se formou em suas papilas. Era doce. Fora traído por sua própria cegueira e terminara por levar à boca uma jujuba. Sequer podia praguejar, pois no céu de sua boca já brotavam estrelas e em seus olhos vazios uma coceira desesperada. Sentia um calor crescendo em seu interior à medida que seu corpo amolecia. Podia ouvir o próprio coração acelerando. Batia como tambores tribais, cada vez mais alto. Sentia a alma liquefazendo-se, como uma vela de natal derretendo em puro inverno. Por um instante não conseguiu mais coçar os olhos e um clarão irrompeu deles. Brilhavam forte, transparecendo as vidraças opacas das janelas de sua alma. A luz ganhou espectros e se lançou ao céu em 7 raios coloridos.

Seu corpo desprendia-se como uma casca vazia à medida que sua alma escorria pelos olhos em um arco-íris radiante, até que não passava mais de um conjunto de mulambos sujos e rotos na calçada enquanto ele mesmo, doce e colorido, jogado ao céu sem fim. Não era dia de chuva mas toda a cidade viu o arco íris.

De um outro canto qualquer, um garoto pensava nas historias que ouvia sobre aquilo. Mal sabia o quanto enganam-se em dizer que no fim do arco Iris há um pote de ouro. No início dele há uma bacia de trocados largados e seu fim se perde entre as nuvens, onde o céu nunca é o bastante e toda alma é líquida e doce.

[vejam também www.flickr.com/photos/rfalcao]

Quarta-feira, Outubro 21, 2009

Tum-tum

Distribuía gentilezas e sorrisos sinceros no decorrer de seus dias. Era naturalmente de boa índole. Desde cedo fora educado assim.
Ainda criança, cedia aos amigos sua vez na partida de pelada, no videogame e até na "salada-mista" com a menina de vestido floral.
Na adolescência, emprestava a bicicleta pra irmã, fazendo o percurso até em casa caminhando e por várias vezes assumia o sumiço do doce da geladeira, ainda que sequer tivesse visto. Não vivia assim como uma forma de auto-punição, muito pelo contrário.
Abria a porta para os outros, cedia a vez, fazia mesuras até aos pedintes de ponta de esquina. Fazia com prazer. Suportava as mais intensas provocações, sempre rebatendo com m sorriso de meia bochecha e um delicado "aaah eu discordo disso". Ate mesmo seu caminhado era sutil e silencioso, mesmo carregando no bolso aquele pesado molho de chaves que sempre o acompanhavam.
Agradava crianças e jovens, e os idosos o queriam adotar. Era esse tipo de gente, que se convida pro almoço logo que se conhece, e pro fim de semana antes que a o almoço acabe.
Um dia, vinha entrando com aquele sorriso de sempre, sem gestos exagerados, passos rapidos e silenciosos e a respiração perfeitamente ritmada sob a camisa branca e bem passada com um leve aroma de amaciante de lavanda. Ao chegar no meio do saguão, trocou as flores da mesinha e então abriu lentamente o paletó, deixando brevemente visíveis aquelas linhas bem distribuídas de de silver tape e dinamite, além de um cronômetro digital sobre o coração. Apertou o botão e com um breve clique mandou tudo pelos ares em uma estrondosa explosão.
Misturavam-se nacos de carne, pedaços do teto, paredes e vidro. Ninguém sobreviveu.
Teve uma vida interira de coração tranquilo e gentilezas, mas o coração de um Homem-Bomba bate uma vez só.

Segunda-feira, Setembro 14, 2009

A Mulher[menina] de Setembro




Vinte e cinco se escrevia aos poucos na Mulher de Setembro. Vaidosa como era, escorria entre as folhas do calendário, tentando fugir do fatídico dia. Mas ele enfim chegou. Tão certo quanto ontem foi domingo e amanhã será terça, hoje é o dia.
De vestido florido com laços azuis. Um sorriso desconfiado e uma ou duas críticas - aprendera bem a arte dos remungos com o Sr. de 88 anos desde o nascimento - porém por mais que disfarçasse, ela sabia que um quarto de século é tempo demais em páginas de diário, escritas com canetas de bela cor e colagens de jardim-de-infância. O tempo é uma daquelas visitas que chega (com o perdão do trocadilho) fora de hora.
Mas a Mulher de Setembro sabe, bem no fundo sabe, que o charme da vida é ter uma biografia. Bem longa, de preferência. E que em todas as páginas que restam dela brotem sorrisos histéricos, estrelas no céu da boca e todas as canções, para a trilha sonora perfeita.
[E em todas elas que um outro par de all stars acompanhe]



Feliz 25, beibe.

Amo.

Quarta-feira, Setembro 09, 2009

Nove x Nove x Nove

Deveria ser hoje. E é.
Não do jeito planejado, não conforme a conspiração previa. Ainda assim é.
Isso não deixa menos especial, apenas nove vezes diferente e outras nove mais, importante.
No amor, nove em pé - 99 - ainda que tenha longo chão entre os pontos. No sexo, amor reverso e sacana - 69. Encaixe seguro. perfeita sincronia.
Nove é o número da perfeição, do equilíbrio. Pra mim é também um número de promessas. E isso não é só "nove horas" como se diz aqui, em referência à conversa fiada. Dou minha palavra por 9x9x9.
Que venham outros noves, dez, onze e etcéteras.
Amor sem noves fora, 9x9x9, amor.

Domingo, Agosto 30, 2009

Twitter

Correndo. Correndo.

Aos queridos visitantes dessa casa, desculpem a ausência dos últimos tempos.
Escorro entre os tique-taques da vida.

Me rendi e agora também estou aqui: www.twitter.com/regisfalcao


Tem novidades aqui também: www.flickr.com/photos/rfalcao

E eu prometo que logo logo vou deixar de ser teimoso e vir atualizar aqui.

Domingo, Julho 12, 2009

FOTOGRAFOS INVADEM CASAS NO PIAUÍ!



A edição deste domingo do Jornal "O Dia" publicou uma excelente matéria assinada pelo jornalista Edson Costa sobre o II Varal de Fotografia realizado pelo Piauí Photo Clube.
A exposição em forma de varal possui modelo informal, onde as fotos são expostas em varais e presas por pregadores de roupa. O objetivo é tanto divulgar o trabalho dos artistas como atingir os mais variados públicos, popularizando a fotografia nos mais diversos lugares. O II Varal contou com 60 fotos e em torno de 20 participantes, tendo se realizado no Encontro dos rios (vide posts anteriores).
Na matéria, cuja capa traz a foto do nosso amigo Márcio Anderson, também merecem destaque para as fotos de Nayara Nery, Maurício Pokemon, Mesquita Diniz e Felipe Mendes, além deste que escreve.
O II Varal foi organizado por João Rufino e Márcio Anderson, que encabeçam o PPC e botam essas câmeras pra funcionar, e se tudo der certo em agosto teremos a III edição.
.
Agradecimentos: Edson Costa, Marcio Anderson e João Rufino.
.
.

A reportagem de centro da Revista Metrópole onde aparecem as fotos da Nayara Nery, Regis Falcão, Maurício Pokemon, Mesquita Diniz e Felipe Mendes:


.
.
.
A linda foto do Márcio Anderson que estampou a capa do Jornal:
.
.

.
.
.

E a minha foto, publicada no mesmo:
.
.


.
.

E por fim os participantes do II Varal de Fotografia do Piauí Photo Clube:
.
.
.
.

[Vejam também: Meu Flickr]

Segunda-feira, Julho 06, 2009

INGLÊS NO PESCOÇO.

Nas segundas era todo engomadinho. Levantava trinta minutos mais cedo que o de costume, pra poder fazer a barba com zelo.
Nessa ocasião trocava religiosamente as laminas do aparelho. Era dado a superstições bobas e laminas com mais de três usos atraíam má sorte.
Fazia a barba com a paciência e a precisão artística de um escultor. Mirava e deslizava suave a navalha até que julgasse seu rosto digno de uma segunda-feira.
Limpo, barbeado e com um leve tom vermelho-azulado nas maças do rosto, parecia mais profissional que o velho gerente do andar de cima com sua abusada colônia de rosas e o paletó quadrado desbotado de trinta e dois anos de empresa. Sentia-se invencível e ninguém podia contradizê-lo.
Era perfeccionista e de fato não arredava o pé até que estivesse com aquela aparência de coluna de mármore, perfeitamente lisa. Era quase como um pequeno ritual de purificação reservado exclusivamente para as segundas, já que a barba de quarta era consideravelmente menos criteriosa e a de sexta uma verdadeira incógnita desleixada. Talvez quisesse com aquele ato sanguinolento de maltrato às curvas de seu rosto, compensar a falta de limites do fim de semana, como se quisesse se livrar de tudo aquilo de condenável que fizera.
Complementava com uma bela e fina gravata atada com "nó inglês" perfeitamente arrematado. A gravata escolhida à dedo para combinar com a camisa bem passada com vincos laterais bem destacados. Ne quarta feira era a primeira que lhe viesse à mão, e da quinta em diante um "deus dará".
Mas na segunda era assim, barbeado, engravatado, alinhado. Perfeitamente concentrado e funcionário exemplar, até que o monstro da semana lhe devorasse o zelo e a vaidade dando em troca as rugas na testa e à gravata um mal feito nó de "Windsor" que resumia toda a mixórdia de sua conturbada semana.
.
.
.
.
[visitem também: www.flickr.com/photos/rfalcao ]

Sábado, Julho 04, 2009

O CURIOSO CASO DE BENJAMIN CONSTANTINO

.
.
.
Nascido de amor profundo, entre suor e dor física ele veio ao mundo. Em silêncio, como o caçador que chega sorrateiro com o vento.
Em Lua de sexta, ele nasceu. Traz consigo a Pata do Leão do Norte e o Uivo do Lobo do Inverno.
Que sua jornada seja longa e os perigos não o assustem, bravo Benjamin. Que o mundo, esse grande dragão de dentes afiados, não vença seu escudo, e que o fio de sua espada sempre verta o primeiro sangue.
Voe alto e grite com poderosos pulmões, pois a saga começa.
Bem vindo, Benjamin.
.
.
.
[Aos meus amados Carla, Gustavo e o pequeno Benjamin. Parabéns!!]

Quinta-feira, Julho 02, 2009







Bem, recebi ontem um e-mail com o aviso da indicação. Um tanto tarde pra concorrer, mas só a indicação ja faz cócegas no ego. Quem quiser votar, à direita e abaixo tem um selinho com o link.
.
.

Amanhã é dia de texto novo.
.
.
visitem também: www.flickr.com/photos/rfalcao

Segunda-feira, Junho 29, 2009

LESTE ÍTACA

"Quando você começar sua viagem para Ítaca, reze então para que a estrada seja longa, cheia de aventura, cheia de sabedoria.
Não tema os Lestrigões e os Ciclopes e o bravo Poseidon.
Você nunca vai encontrá-los em sua trilha se os pensamentos continuarem amplos, se uma fina emoção tocar seu corpo e seu espírito. Você nunca vai encontrar os Lestrigões, os Ciclopes e o feroz Poseidon, se não os carregar consigo em sua alma, se sua alma não os erguer diante de você.
Reze então para que a estrada seja longa. Que as manhãs de verão sejam muitas,Que você entre em portos vistos pela primeira vez com tanto prazer, com tanta alegria.Pare em mercados fenícios e compre finas mercadorias, madrepérolas e corais, âmbar e ébano,e perfumes agradáveis de todos os tipos, compre tantos perfumes agradáveis quanto puder; visite anfitriões de cidades egípcias, para aprender e aprender com aqueles que têm sabedoria.
Sempre tenha Ítaca fixa em sua mente.
Chegar lá é seu último objetivo. Mas não apresse a viagemde jeito nenhum. É melhor deixá-la durar por longos anos; e até mesmo ancorar na ilha quando vocêestiver velho, rico com tudo que tiver conquistado no caminho, sem esperar que Ítaca lhe ofereça riquezas. Ítaca lhe deu a bela viagem. Sem ela você nunca teria tomado a estrada. Mas ela já não tem o que lhe dar.
E, se você achá-la pobre, Ítaca não fraudou você. Com o grande saber conquistado, com tanta experiência, você certamente deverá ter entendido o que Ítacas significam."
.
.
.
.
(Konstantinos Kaváfis)
.
.
.
.
[Da série: Coisas que eu queria ter escrito.]
.
.
.
.
[perambulando em postagens antigas do blog, me deparei com esse texto maravilhoso que me foi deixado pela querida amiga Lilith. Merece uma postagem na página principal com muito louvor]

Quinta-feira, Junho 25, 2009

PASSEIOS DE QUINTA

Acordei com seu rosnado e o peso de suas patas na minha cama. Antes mesmo de olhar já sabia que era ele. Desvencilhou-se da corrente, das trancas e veio direto pro meu quarto, atirando-se janela a dentro. E eu podia jurar que havia deixado o tinhoso bem trancado no quarto dos fundos...
Discretamente, olhei de canto de olho fingindo dormir. Não adiantou. Logo começou a puxar o cobertor que eu usava pra me esconder – como todos sabem um cobertor quentinho pode protegê-lo de quaisquer males, do mundo ou imaginários, ainda que eles permaneçam lá fora - e nem isso adiantou. Hoje ele veio determinado, e logo começou a me morder os pés com uma insistência insuportável.
Enfim, desisti e levantei. Não há como competir com um bicho tão persistente.
Enquanto troco de roupas ele destrói mais um sapato meu em uma brincadeira furiosa. Apenas observo, me questionando se ele nunca ataca um sapato cujo outro pé já tenha sido destruído por algum senso de moral destorcida; como uma lição, ao vitimar apenas um e deixar o outro como um lembrete de que parte de mim pertence a ele; ou se seria apenas sadismo.
Abro a porta e de imediato ele se coloca ao meu lado. Já conhece minhas artimanhas e eu sei que não vai adiantar tentar sair rápido e deixá-lo trancado do lado de dentro, ou voltar ao quarto e prendê-lo de fora. Lado a lado, dividimos o caminho como siameses, desconfiados um do outro.
Sob protestos, vou e cumpro minha sina junto do meu companheiro não opcional.

Às quintas-feiras é inevitável levar meu mau humor pra passear.

Terça-feira, Junho 23, 2009









Quem quiser colorir os olhos, apareça!

[ E o Sr. Regis também vai expor. ; ) ]

Realização: Piauí Photo Clube.

Domingo, Junho 07, 2009

RITO FÚNEBRE [OU EPITÁFIO DESLETRADO AUTOACUSATÓRIO DE UM VERBERRÃO INFAME]





Faleceu na última quinta-feira mais um poeta. Morreu de Verborragia Crônica. As poucas letras dedicadas ao seu epitáfio, publicado quase imperceptivelmente na edição vespertina do periódico de sexta, entre o anúncio de um poodle perdido e um edital para o cargo de coveiro com os dizeres:

“partiu na última quinta-feira Augusto Silvério Cortez, escritor e poeta, editor semestral da coluna de crítica literária do jornal “Há Dias”. Falência múltipla da criatividade agravada por relogismo acentuado. Saudades, amigos, familiares e leitores. A missa se realizará na Catedral de Longa Viagem”

Não que fosse de todo ingrato ou mesmo injusto, mas poderia se dizer exagerado, visto que “poeta” é uma alcunha pomposa em se tratando daquele em particular. Era na verdade um letreólatra costumaz, que era flagrado comumente em ambientes de dignidade duvidosa consumindo verbos antes mesmo das dez da manhã.
Os poucos com quem conversava, menos ainda tinham dele o que falar. Esquecia aniversários, nomes e compromissos. Talvez sua mais memorável característica fosse aquela sua colônia barata, que costumava permanecer nos recintos por horas após sua partida. Diriam em justificativa talvez, que andava em fase sombria de seus dias, dedicando-se cada vez menos às letras suas e progressivamente à esvaziar páginas de outros, sem deixar de ostentar com desdém da alcunha de escritor, enquanto fechava-se na moribunda expressão de sua própria testa, a sinopse de sua vida.
Seu vício já atingira tamanha expressão que misturava sobrenomes, épocas das publicações e títulos das mais distintas e altivas edições em frases sem sentido. Se fazia isso por prazer sádico em causar confusão ou por avançada debilidade mental, nem mesmo o caixão – doado por um benemérito vereador de um partideco da câmara local – saberia responder.
Dada a profunda ausência de pauta e algum assunto de interesse público nesta noite de domingo, nossa coluna resolveu dedicar não só um breve comentário, acima verificado, como formular o não menos infame e absolutamente indigno - porém um tanto mais indicado - epitáfio que se segue:

Dia desses morreu mais um proferidor de impropérios e desinteresses. Partiu só, sem herdeiros, amigos nem obra que mereça citação. Crítico literário, pretenso poeta e medíocre jogador de sinuca. Verbólatra, fumante e torcedor do botafogo. Dada sua desimportância, seu nome será também ignorado. Não sentirão saudades amigos, familiares ou mesmo o periquito mudo que catou no quintal, vitimado pelo último inverno. Não haverá missa de sétimo dia. PS: VENDO CORCEL 73, BOM ESTADO, ÚNICO DONO INTERESSADOS TRATAR 1982-2009

[Qualquer coincidência com nomes e fatos do cotidiano é inteira responsabilidade da vida, a mais sádica espectadora dos dias e infortúnios do mundo]
[Com a devida Venia, dedico este texto ao grande mestre Yosif Landau. Por pura ironia do destino, logo após publicar no meu blog iniciei minha peregrinação de leituras, coincidentemente no blog dele esbarrei em um texto de despedida de sua autoria. Escrevi antes de ler o dele e achei conveniente acrescentar esta pequena dedicatória. ]

Terça-feira, Fevereiro 10, 2009

DESASTRONAUTA


[imagem do artista Weno, publicada originalmente em sua home: http://www.weno.com.br/]



O Desastronauta caminhava nas entrelinhas de seu espaço circunflexo. Árbitro de suas próprias incoerências, investigava seus desfazeres e recusas assumidas.
Era costume ser inconveniente em suas auto-avaliações. Já fora o grande Ponto Duplo, lorde desbravador de desgaláxias e outros lugares imaginários; já perambulara com pés trocados em irrealidades fingindo ser malabarista; já tentou fugir de si enquanto dormia, em busca de conhecer novos tijolos que não amarelos. Amarelou-se e fingiu que ele nao era consigo mesmo.

Recentemente ganhara o prêmio de coadjuvante em sua grande obra de meia lauda, e co-quase-semi roteirista de sua tragicômiga história.

Há um tempo vestira um avental pentalóide e recebra o cargo de artífice de si mesmo, função na qual já nascera, mas agora recebera por três vezes a incumbência de dar andamento.:
Não tinha preguiça das andanças, muito pelo contrário, gostava das desventuras e de fortes emoções. Divertia-se em capturar instantes e explodir em letras o que lhe vinha aos olhos e à alma, mas sofria de uma persistente síndrome de comodismo sedentário. Talvez tivesse adquirido tal enfermidade macabra exercendo o labutário estressadinho do seu outro eu, praticado oito horas por dia.

Escolheria viver de deslizes e outras coisas sorridentes, se fosse uma opção, mas o grunido do bicho-bucho não perdoa.
Mas... não aguentava mais aqueles tempos normalóides. Era hora de voltar às estrelas e percorrer os desmundos imaginários com todos aqueles trololós e onomatopéias saltitantes. Era hora de voltar a devorar livros e fazer as letras escorregarem docemente goela a baixo; de saltitar em uma perna só, desviando de cometinhas azulados e fazer caretas ao monstro-frevo-aleluia, esse maldito devorador de asas e cores.


... e saltou o Desastronauta pro mundo do espelho outra vez, de onde nunca deveria ter saído.

Sexta-feira, Fevereiro 06, 2009

Concurso "Contos de Teresina"

Enfim, concluídas as análises do Concurso Contos de Teresina, promovido pela Fundação Cultural Monsenhor Chaves, foi finalmente divulgado o resultado.
No concurso, para o qual tive a honra de ser convidado para compor a banca de juízes junto do grande mestre Assis Brasil (tietagem mode on), renomado escritor piauiense; e do também escritor João Bosco da Silva, concorreram 24 obras. Muitas delas bem escritas, instigantes e provocativas. Outras porém, nem tanto.
Os dois primeiros colocados serão publicados na próxima edição da revista Cadernos de Teresina.
Os vencedores foram:

1° Redemoinho de emoções, de Ana Maria Quessada

2° Quando a morte se chama Crispim, de Raimundo Nonato Lopes

3° O velho, de Célia Silva Forte




Além do destaque para:

O assassinador, de Antônio José Fontenele da Silva; O furto de Caim, de Antônio de Pádua Ribeiro; A mulher que amava o monstro, de Eugênio Carlos do Rego; O sábio artesão, de Glauber dos Santos Teixeira e O conto de quinta, de Sâmara Eugênia Viana Moura.


Foi uma experiência muito interessante, principalmente por ter me dado a oportunidade de conhecer o mestre Assis, com o qual aproveitei a deixa pra expor um projetinho futuro que logo falarei aqui.
Por hora é isso.





.........................................................................................
Confira abaixo a matéria da página da FCMC:

Literatura
Divulgado resultado do Concurso Contos de Teresina30/1/2009 11:51:24
.
.
.
Depois de alguns meses de espera, nesta sexta-feira foi divulgado o resultado do Concurso Contos Cidade de Teresina 2008, promovido pela Prefeitura Municipal de Teresina, através da Fundação Municipal de Cultura Monsenhor Chaves, que premia os melhores autores com textos deste gênero tendo a cidade como referência.
.
.
.
O concurso foi aberto em junho e teve dezenas de inscritos, sendo que três foram premiados. De acordo com o parecer da comissão julgadora, em primeiro lugar ficou o conto “Redemoinho de emoções”, de Ana Maria Quessada; em segundo, ficou o conto “Quando a morte se chama Crispim”, de Raimundo Nonato Lopes; o terceiro colocado foi “O velho”, de Célia Silva Forte.
.
.
.
O concurso tem a finalidade de incentivar a ambientação de contos na cidade, dando ênfase às manifestações culturais locais, a seu espaço físico ou à história do município. A premiação atribuída pelo concurso é a seguinte: 1º lugar: publicação, pela FCMC, na Revista Cadernos de Teresina e a quantia de R$ 1.000,00 (um mil reais); 2º lugar: publicação do conto na Revista “Cadernos de Teresina”; edição de nº. 42 e outorga de menção honrosa; 3º lugar: outorga de menção honrosa.
.
.
.
De acordo com o Coordenador de Editoração e Literatura da FMCMC, César Augusto Barros, o resultado do concurso teve um atraso devido um problema com um dos avaliadores. “A falta de compromisso de um deles prejudicou enormemente a finalização do resultado, postergando e terminando por não entregar a sua avaliação, o que levou a Coordenação a convidar um quarto avaliador para completar as análises. Isso de certa forma gabaritou ainda mais a comissão, pois o substituto foi o mestre Assis Brasil”, frisa.
.
.
.
Além disso, como a qualidade de alguns trabalhos foi bastante elevada, a Comissão, formada também por João Bosco da Silva e Régis Falcão de Área Leão, sugeriu que fossem destacados os contos “O assassinador”, de Antônio José Fontenele da Silva; “O furto de Caim”, de Antônio de Pádua Ribeiro; “A mulher que amava o monstro”, de Eugênio Carlos do Rego”; “O sábio artesão”, de Glauber dos Santos Teixeira e “O conto de quinta”, de Sâmara Eugênia Viana Moura.
.
.
.
Neste ano, o concurso será lançada no mês de março e a Coordenação de Literatura promoverá algumas mudanças no regulamento.
.
.
.
[Errata: escreveram meu nome errado, o certo é: Regis de Arêa Leão Falcão Filho, mas enfim...]

Terça-feira, Dezembro 30, 2008

COTTON CLUB




Nas terças-feiras sentava ao fundo de um bar, rodeado daquele cheiro ocre de cerveja velha e fumaça adormecida. Cheiro de suor de ontem e beijos de amanhã, carregados nos olhares que se cruzam no balcão em um flerte embriagado.
Costumava sentar e observar tudo. Era quase como uma fotografia empoeirada na parede, cujos olhos ninguém saberia dizer ao certo para onde apontavam. Era tão ali, empoleirado em seus próprios pensamentos, que passava despercebido aos outros. Era como ninguém, nada. Era tal qual a fumaça azulada de seu cigarro: uma presença ignorada, traída apenas pelo seu cheiro.
Observava com olhos de esfinge, em uma expressão inexata, imprecisa. Era ao mesmo tempo um espelho que refletia um olhar qualquer que o encontrasse; bem como uma máscara de si mesmo. Fosse de carnaval, de um baile à moda antiga, de ritualística sagrada ou forjada pela dureza de seus próprios ontens.
Outro gole. A bebida lhe queimava a garganta. Era como as palavras que nunca dissera. Aquelas longas conversas que tinha com ele mesmo em diálogos imaginários que sempre terminavam em choro de uma parte de si. Senão em tragédia, em homicídio selvagem. O assassino de si, condenado a carregar seu próprio corpo sobre o ombro, sendo por vezes seu alter ego o cadáver das escolhas, levado com esforço; por vezes os seus anseios e paixões mais doces. Era seu carrasco e também sua vítima. Por isso bebia. Tinha de sentir que ainda controlava algo.
Mas às vezes apenas observava os outros. Ria-se por dentro da comédia da vida alheia. Não queria saber seus nomes, seus endereços e muito menos aonde iriam depois do bar. Queria apenas olhar. Ler seus passos e tentar adivinhar o que viria a seguir, dentro daquele instante de validade limitada à quatro paredes.
Via através do copo, tal qual uma lente de aumento. Entre as gotas suadas do copo e o malte barato que suas posses podiam pagar. In vino veritas.ou In whisky,que seja. O álcool revelava-lhe os indivíduos de forma clara. Ou talvez apenas inebriasse sua mente de uma forma criativa.
Já estivera tantas vezes ali, sentado naquela mesa no fim do mundo, esquecido de si. Perdido de si. Nunca estivera mais em si... e assim jogado, largado à própria miséria naquela espelunca, sentia-se um pouco mais importante. Um pouco mais centrado, ainda que seu corpo nunca encontrasse equilíbrio para cruzar as oito quadras que o separavam de sua casa sem se ferir.
Olhava mais uma vez em volta. Escrevia em sua memória cada um dos personagens sem nome e sem rosto daquela noite. Não importava. Amanhã nada lembraria. Pagava a conta com três notas amassadas. Receberia moedas em troco. Odiava moedas, aquelas pequenas coisas sujas e quase sem valor, condenadas a viver perdidas entre bolsos e latas de pedintes.
Seguiria naqueles trôpegos passos de bêbado, tão incertos quanto sua mente, sentindo o mundo girar à sua volta - isso lhe causava uma agradável sensação egocêntrica. Depois de lutar contra seus próprios pés e a fechadura, cairia profundamente em sua cama. Entregue ao delírio ébrio, ao sono perturbado.
Outra vez acordaria e ainda seria um reflexo de sim mesmo, e agora com ressaca de sua própria vida.

Quinta-feira, Dezembro 18, 2008

O VELHO PREGADOR

Do alto de um tronco caído, esbravejava o velho. Usava uma coroa de alumínio e vestia-se com a sujeira de sua própria existência. Em seus olhos insanos fervilhava uma fúria ígnea. De sua boca uma profusão verborrágica de aforismos e revoltas. Clamores pelo levante; pela luta. Pelo retorno das milícias armadas conspirando contra os tiranos senhores da nossa era. Protestos pela tomada do poder pelos insanos - os únicos com capacidade de arrancar do caos e da anarquia uma nova ordem.
Clamores por uma era sem farsas, no que havia se tornado o grande teatro do poder. Pregava a morte pela fogueira daquela que antes se chamava Justiça, a grande defensora de espada afiada, que resolveu abaixar a calcinha por uns trocados e se tornar a maior das prostitutas, no que ousava chamar de Ditadura das Meretrizes, no país da Bordelândia. Gesticulava como um louco – quiçá um maestro no doce delírio de reger a mais bela das sinfonias – enquanto amaldiçoava cada um dos membros de sua curta platéia de Homens-de-pedra. Rochosos seres cegos surdos e loucos, cuja alma era tão seca e dura quanto seu coração impenetrável. – antes palavras fossem marretas.
Gritava, gesticulava, vociferava em despudorado reclame. Talvez fosse ainda um dos poucos homens de carne e virtude, que via nas palavras mais força do que mero entretenimento. Fosse quem sabe apenas um maltrapilho, açoitado pelo infortúnio de ter a cabeça longe do chão e um coração sem joelhos numa era onde pensar era “desnecessário”. Fosse o que fosse, pregava às pedras de forma inflamada e fabulosa, ainda que estivesse nu.
............................................
Bem, nem preciso dizer que os últimos tempos foram deveras caóticos aqui. Não tenho conseguido postar e mal tive tempo de ler e comentar os blogs amigos, que sabem o quanto os admiro. Agora enfim, as coisas começam a se acalmar. Tudo está justo e em breve estará perfeito.
Resolvi estabelecer as segundas e quinta feiras, como dias oficiais de postagem. Nem que seja uma bobagem qualquer. Vou me obrigar a recriar o hábito de postar.
Portanto amigos, declaro outra vez inaugurada esta casa e agora com pelo menos duas postagens por semana!
Grande abraço!