quinta-feira, janeiro 21, 2010

ENCONTRANDO O TEMPO




O que relato a seguir é nada mais que um punhado de considerações obvias, porém a vida é um delicioso clichê.



A vida acontece em um ritmo alucinante. Diariamente fazemos uma escolha atrás da outra, nas mais variadas relevâncias, seja a gravata que você vai usar para trabalhar, o que você pretende ser no resto da sua vida – e essa em particular é uma decisão que necessita constante renovação - seja um pedido de casamento. É inevitável fazermos as escolhas erradas vez ou outra. A gravata que foge completamente ao padrão de cor da sua camisa pode fazer você parecer um pateta, independente de quantos MBAs seu currículo possui, mas ainda assim o seu currículo não sofre. Trabalhar com o que não agrada você tem conseqüências mais sérias. Muito mais sérias.
Sempre levei a frustração muito a sério. Esse é um sentimento que conduz ao fracasso em qualquer orbe da sua vida. Ser um pai frustrado, um marido frustrado, um esportista frustrado, um profissional frustrado. Esse último em particular eu nunca consegui compreender. Como alguém pode dedicar uma vida inteira a algo que não o satisfaz? Como levantar todos os dias mecanicamente, sem o menor senso de desafio, de emoção, de satisfação?
Algumas pessoas tem uma boa mira. Acertar de primeira não é tão simples. Não pra mim. Por muitos anos fantasiei sobre um determinado modo de vida que há algum tempo percebi ser de fato mera fantasia. Não que eu seja frustrado no que faço, muito pelo contrário, levo até jeito, mas no fim do dia sentia que faltava alguma coisa. Nos dias em que saio pra fotografar, escrevo ou converso sobre cinema com meus amigos, essa lacuna já não aparentava estar vazia. E é nesse ponto que eu queria chegar.
Recentemente tomei uma decisão séria: resolvi por fim definitivo e irrevogável à carreira jurídica. Trabalho a 4 anos na área, tenho bons contatos e constantemente boas propostas. Agradeço, mas não é mais pra mim. Martelei muito antes disso, posso dizer sem qualquer dúvida que não foi algo levado pelo impulso, apesar do que a grande maioria dos mais próximos pensou. Amadureci silenciosamente a idéia, pesando o que podia ser pesado, prós, contras e tudo mais. Na última sexta feira decidi arriscar e a menos de 24 hs das provas fiz vestibular. Mantive segredo pelo bem do meu ego. Temia o fracasso. A aproximadamente uns 7 anos sem estudar matérias de segundo grau, parei diante das provas como um velho soldado que volta às trincheiras depois de anos longe dos disparos e explosões. Um sentimento de fraqueza me dominou um instante. Fraqueza, medo... muita coisa seria decidida em um questionário de 60 perguntas. Respirei fundo e mandei ver. Pra minha surpresa fui aprovado e com uma colocação surpreendentemente gratificante. Meu ego ronrona como um gato manhoso.
Começar um novo curso aos 27 anos, não vai ser algo fácil. Passear por corredores de adolescentes cheios de energia vai ser... estranho. Não ligo.
Costumo dizer que minhas duas asas são a literatura e a fotografia. Posso dizer que é o que mais me satisfaz. Na verdade, nada me arranca mais sorrisos que a “família”: a literatura, a fotografia e o filho (como gosto de pensar) desse adorável casal: o cinema. Pra mim as três coisas se complementam e fazem goiabada com queijo, o velho Romeu e Julieta gastronômico, parecerem um casal sem graça.
Em Teresina não temos um curso de cinema ainda. E eu tenho meus motivos pra não sair daqui. Acho que o curso de jornalismo é o que mais se aproxima disso – dentro da realidade acadêmica da minha cidade, pelo menos – e me possibilita pelo menos uma especialização em cinema, futuramente. Não tenho outras pretensões senão o que já faço: contar histórias, sejam elas reais, fictícias, vividas, ouvidas ou mesmo imaginadas. Eu posso dizer com um bom grau de certeza algumas das coisas que NÃO quero pro meu futuro. E o que quero? Bom, a vida inteira acontece agora e pro meu agora, sei o que quero.

E você o que quer agora?

6 comentários:

Nathy disse...

É!

Tudo tem prazo de validade na vida.

Acho que é pra colocar a prova nossa capacidade de se reinventar quando for necessário~.

Não é fácil tomar certas decisões, não mesmo. Mas penso que alguns comichões internos são maiores do que nossa necessidade, vontade ou esperança.

Posso dizer que me senti dentro deste post, inclusive quanto ao jornalismo.

Não retrocendo no tempo, de forma alguma, poderia dizer que eu sou vc com alguns anos a mais. Risos.

Pra variar, um belo texto.

Blooming Fantine Stellar disse...

Siga em frente. Bons roteiros sairão daí. Fan também faz previsões.

Besos,
Fan*

Rosa Magalhães disse...

Querido Régis, eu comecei o curso de Jornalismo um tiquim mais madura que você e, em alguns casos, acho que é bem melhor entrar no mercado de trabalho sem enxergar a vida tão cor-de-rosa (característica comum aos muito novinhos).
Sempre achei que teu caminho era outro... como pode alguém com tanta sensibilidade enveredar numa profissão tão "certinha" como Direito? rsrs
Seja bem-vindo, acho que você vai amar o curso! Eu amo, apesar dos percalços.
Beijo grandão procê.

Rody Cáceres disse...

Quero deixar de querer...seria um alívio...Abraços Régis, ogrigado pela visita.

Aninha disse...

Quero saber o que diabos está acontecendo!!! Estou e não estou chocada!!! Vai pedir demissão? E teu padrão de vida? Como vai ser se tu sair? Eita porra...

F. Reoli disse...

Tá no bom caminho, meu velho. Seja o dos olhares ou das letras!
Abração