sábado, outubro 14, 2006

SOPA DE LETRAS

Arremedo em escritas as palavras em digestão.
Embaralhando a língua nas estrelas apagadas do céu da boca, cravo os dentes naqueles versos nunca ditos por esses lábios desertores.
Não sairão! Não sairão!
Engulo em seco, empurrando goela-abaixo pronomes pessoais e reticências. O faria a noite inteira, não fosse essa interrogação engasgada na garganta...
Sufocado, entalado, vomito verborrágico a sopa de letras mal-digeridas daquele jantar. Antes tivesse me alimentado da chama das velas que desenhavam a penumbra. Queimaria menos, a gastrite que essa palavras gordas, saturadas de ambigüidade e entonação duvidosa me causam...
É o castigo por essa fome desgraçada de palavras enfileiradas, frases e versos. Me torno um bulímico devorador de letras infames.
......................
[Sr. Pan, crie vergonha e ajeite meu template. tenho saudade dos meus links. hunf.]

2 comentários:

disse...

Esta sopa talvez ... seja como no princípio "onde o surto de modelar superava a incapacidade de articular cores por segundo em trocas de olhares" (primeiro post onde fui tentar encontrar a razão de tanta coisa linda ... mas não encontrei!)
BJ

Claudio Eugenio Luz disse...

Antes as palavras que todo mal que nos devora.

hábraços, prosador.